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Palavra do Pastor

 

6º Domingo da Páscoa – 27.04.2008

“Não vos deixarei órfãos” (Jo 14,18)

 

+ João Braz de Aviz
A
rcebispo Metropolitano de Brasília

Aproximamo-nos da solenidade da Ascensão do Senhor. Nós a celebraremos com toda a Igreja no domingo que vem. Nela Jesus volta para junto do seu e nosso Pai, de onde virá no final dos tempos para levar consigo a todos os que acreditarem nele e realizarem as suas palavras.

A partida de Jesus do meio de nós, depois de sua convivência conosco desde o nascimento até a morte na cruz e a ressurreição, não significará seu afastamento de nós. Ele nos deu um outro Defensor, para que permaneça sempre conosco: o Espírito da Verdade (cf Jo 14,16-17).

Com a partida de Jesus completa-se a obra misericordiosa do Senhor, porque Jesus vai para o Pai. Como nós estamos nele e Ele em nós, com Jesus nós também estamos no Pai (cf Jo 14,20). Por isso desde agora nós não somos órfãos, mas filhos amadíssimos que vivem na intimidade da Santíssima Trindade.

Que aventura estupenda a nossa! Por ora a coisa necessária é acolher e observar todos os mandamentos de Jesus para ser amado por Ele e pelo Pai (cf Jo 14,21).

Os Apóstolos continuam a realizar as obras que Jesus fazia, como é o caso dos milagres, e o Espírito de Deus abria o coração de muitos para aderirem ao nome de Jesus (cf At 8,5-8.14-17). Desse modo a comunidade crescia e aumentava no número de pessoas. Pedro exorta seus membros a permanecerem firmes, “prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir. Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência” (1 Pdr 3,15-16).

Estamos hoje inseridos numa cultura que gera o individualismo e nos empurra para viver cada um por si. Para muitos a relação com Deus vai se tornando um bem de consumo adaptado apenas às exigências pessoais do momento. Não raro muitos de nós experimentamos uma solidão insuportável.

Por isso ouvir essas palavras de Jesus: “Não vos deixarei órfãos” (Jo 14,18), é receber o que de mais consolador podemos experimentar. O Senhor continua conosco na Igreja, na sua palavra, na Eucaristia, na comunidade, onde dois ou três estão reunidos em seu nome, isto é, em seu amor (cf Mt 18,20).

Cabe a nós procurá-lo. Não podemos mais nos contentar em nossa experiência religiosa com um pouco de tradição, com o seguimento de algumas regras morais, com a aceitação de algumas partes selecionadas do evangelho, que escolhemos de modo a favorecer nosso egoísmo. Pior ainda se continuamos homens e mulheres “religiosos”, mas usamos a religião para outras finalidades como tirar proveito, ganhar dinheiro, criar ilusões com promessas fáceis, através de linguagens sedutoras.

Tenhamos a coragem de percorrer um caminho sincero de discípulos do Senhor!