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19º Domingo do Tempo Comum – 09.08.2008
"Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” (Mt 14,27)
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João Braz de Aviz
Arcebispo Metropolitano de Brasília
Logo depois da multiplicação dos pães, Jesus tinha passado a noite sozinho em oração. Os discípulos, admirados e espantados pelo que Jesus tinha feito, remavam noite adentro em seu barco agitado pelas ondas. O Mestre resolveu ir ao encontro deles na madrugada, caminhando sobre as águas. Cansados e cheios de medo os discípulos não reconheceram Jesus. Ele mesmo os acalma com a afirmação acima: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” (Mt 14,27).
A fé dos discípulos, porém, ainda era frágil, como se vê na dúvida de Pedro, afundando enquanto caminhava sobre as águas. O episódio, porém, tornou-se uma ocasião para uma profunda confissão de fé dos discípulos que estavam no barco: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!” (Mt 14,33).
Diante da pessoa extraordinária de Jesus, seus discípulos passam rapidamente do estupor do milagre ao medo do desconhecido e ao ato de fé no Senhor, reconhecido como Filho de Deus. Assim eles vão aprendendo a seguir o Mestre com decisão e não apoiados em suas fracas convicções pessoais.
O profeta Elias, perseguido até a morte por ter restaurado a fé dos israelitas no único Deus verdadeiro, o Deus dos patriarcas e da aliança, foi conduzido pelo Senhor à solidão da gruta do monte Horeb. Sem apoio humano algum, na solidão mais completa e cheio de medo, Elias encontrou a Deus no murmúrio de uma leve brisa. Só então recuperou suas forças e teve coragem de retomar sua missão profética, completando a obra que Deus lhe confiara.
A fé inquebrantável do apóstolo Paulo e o amor incondicional ao seu povo israelita, levaram-no a manifestar uma grande tristeza e uma dor contínua por ver que “a eles pertencem a filiação adotiva, a glória, as alianças, as leis, o culto, as promessas e também os patriarcas. Deles é que descende, quanto à sua humanidade, Cristo, o qual está acima de todos, Deus bendito para sempre! Amém!” (Rm 9,4-5). E, no entanto, não conheceram a Cristo pela fé.
A resistência humana à ação salvífica amorosa de Deus, se constitui num mistério de iniqüidade que nos é difícil compreender. Deus-Amor, porém, rico em misericórdia e cheio de compaixão, não exclui nenhum povo da salvação e respeita a sinceridade do coração. É preciso, porém, de nossa parte não parar de o procurar por toda a nossa vida. |