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Palavra do Pastor

 

19º Domingo do Tempo Comum - 13.08.2006

“Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai.
E eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,44)

+ João Braz de Aviz
Arcebispo Metropolitano de Brasília

Jesus pronunciou esta frase “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,44), diante da murmuração dos judeus. Depois do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, que atraiu muita gente desejosa de se saciar, Jesus revelou o mistério da Eucaristia, isto é, o pão que Ele iria dar é sua carne para a vida do mundo. Ele é o pão que desceu do céu (cf Jo 6,41.51). Mas os judeus só conseguiam ver Jesus como o filho de José e de Maria, que eles conheciam (cf Jo 6,42).

A palavra de Jesus acima nos instrui a respeito do ato de fé: só podemos crer no Filho se o Pai nos atrair. Nosso ato de fé é uma conseqüência da própria ação amorosa de Deus, que vem em socorro daqueles que se abrem coerentemente aos sinais realizados por Deus. Para aqueles que resistem e se fecham, os mistérios de Deus são inatingíveis, embora o próprio Deus nunca deixe de esperar misericordiosa e gratuitamente pela resposta do homem e da mulher, vindo, de tantas maneiras, ao seu encontro.

Entre estas maneiras da manifestação de Deus está o caminho da provação e também do sofrimento, por vezes muito agudo, que, como uma terapia de choque, lança mão de tudo o que é possível para não deixar se perder a criatura e o filho amado.

Um exemplo luminoso da ação de Deus em uma pessoa e da resposta coerente de fé é a experiência do profeta Elias. Seu coração queimava de zelo pelo Senhor e, no entanto, o povo de Israel, induzido pelo rei e por sua esposa, tinha caído na apostasia, isto é, na adoração de outros deuses estrangeiros criados pela imaginação. O profeta Elias, sozinho, apoiado unicamente na força do Senhor, vence os numerosos profetas falsos e reconduz o povo à aliança com Deus. O fato, porém, provoca a perseguição da rainha e o profeta tem que fugir e se esconder. Cansado, perseguido e sozinho ele reza: “Agora basta, Senhor! Tira a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais” (1 Rs 19,4). O Senhor veio ao encontro de Elias com alimento e com força, e o conduziu para a solidão da gruta, onde se revelou mais profundamente a Ele.

Pela experiência da fé Deus nos reveste de sua sabedoria e de sua força. Elas provém da presença do Espírito Santo em nós; através Dele nos reerguemos das situações mais penosas e difíceis. Sigamos, pois, o apelo de Paulo: “Não contristeis o Espírito Santo com o qual Deus vos marcou como com um selo para o dia da libertação. Toda a amargura, irritação, cólera, gritaria, injúrias, tudo isso deve desaparecer do meio de vós, como toda espécie de maldade. Sede bons uns para com os outros, sede compassivos; perdoai-vos mutuamente, como Deus vos perdoou por meio de Cristo” (Ef 4,30-32). Este é o caminho para chegarmos a Cristo, atraídos pelo Pai.