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5° Domingo da Páscoa – 14/05/2006
"Eu Sou a Videira e Vós os Ramos", Diz Jesus (Jo 15,5)
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João Braz de Aviz
Arcebispo Metropolitano de Brasília
Saulo foi alcançado por Jesus na estrada de Damasco. De perseguidor feroz dos cristãos, tornou-se discípulo do Senhor. Jesus mesmo se encarregou de enxertá-lo como ramo à videira. A vida do Senhor agora penetra, como seiva cheia de vigor, todos os ângulos da vida desse novo ramo, chamado a ser apóstolo e a gerar a Igreja de Cristo fora do âmbito da vida dos judeus. Em Jerusalém, porém, todos tinham medo dele porque sua fama de perseguidor era grande. O Apóstolo Barnabé, que acompanhara sua conversão, fraternalmente se encarrega de levá-lo aos Apóstolos e inseri-lo bem na Igreja de Jerusalém. Saulo, antes bem inserido na videira, agora está também bem inserido como ramo entre os ramos. É membro cheio de vida no meio da comunidade. Nenhum perigo, nenhuma perseguição e nem mesmo as ameaças de morte o separarão jamais de Cristo, por quem ele decididamente entregou sua vida.
A fecundidade da vida do discípulo depende do seu permanecer bem inserido na videira que é Jesus: “Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,4s). Em sua primeira carta, o apóstolo João insiste neste mesmo ensinamento de Jesus com outras palavras: “Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, de acordo com o mandamento que ele nos deu. Quem guarda os seus mandamentos permanece com Deus e Deus permanece com ele” (1Jo 3,23s).
Quando paramos diante de uma videira e a contemplamos de perto vemos o tronco, os ramos, as folhas e os cachos de uva. Ao mesmo tempo percebemos que tudo está tão unido, tão cheio de vida que nossos olhos guardam a imagem de uma única planta sadia, cheia de vida. A imagem que Jesus hoje nos oferece no Evangelho nos faz lembrar aquela outra do corpo formado por muitos membros bem unidos. Jesus é a videira que nos insere na seiva da Santíssima Trindade, da qual Ele faz parte. Permanecendo bem unidos a esta fonte, nós, cristãos, formamos um corpo bem unido, onde os membros são ligados estreitamente pela experiência sempre renovada do amor recíproco.
O tempo pascal que estamos vivendo nos chama a essa vitalidade. O Ressuscitado está vivo e presente na sua Igreja hoje. Ele é o único que nos pode vivificar. Ele permanece entre nós de tantos modos para garantir a passagem abundante da seiva divina sem a qual nada pode ter vida. Sua palavra vivida por nós tem a força de gerar a vida verdadeira entre nós. Assim é também para a sua promessa: “Onde dois ou três estiverem unidos em meu nome eu estou no meio deles” (Mt 18,20). Como precisamos restaurar essa sua presença no meio da comunidade pelo amor sincero entre nós, deixando de ser cristãos solitários que vão a Deus mas não chegam com palavras e obras aos irmãos.
Nesta semana acontece em Florianópolis-SC o XV Congresso Eucarístico Nacional. Na Eucaristia Jesus permanece entre nós de um modo privilegiado e ao nosso alcance. Seu Corpo e seu Sangue nos nutrem de uma seiva imprescindível, sem a qual não conseguimos desenvolver a estatura de Cristo em nós. A Eucaristia tem a força de nos transformar em comunidade de irmãos e irmãs porque é o sacramento da unidade. Rezemos pelo Congresso Eucarístico para que produza frutos abundantes de vida para todo o povo brasileiro. Revisemos nosso amor a Jesus Eucaristia para permitir que sua seiva nos insira bem na comunidade dos discípulos e nos transforme em apóstolos do evangelho. Assim poderemos dizer: Vinde e vede! Ele está no meio de nós. |