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Palavra do Pastor

 

2° Domingo da Páscoa – Domingo da Divina Misericórdia – 23.04.2006

Bem-Aventurados os que creram em Jesus sem o terem visto (cf Jo 20,29)

+ João Braz de Aviz
Arcebispo Metropolitano de Brasília

Vivemos o tempo pascal. A Igreja em todo o mundo aproximou-se do mistério pascal da paixão, morte e ressurreição do Senhor Jesus e o viveu intensamente. Nestes dias que o Senhor fez para nós, contemplamos o grande amor com que o Pai nos amou, enviando seu Filho amado que entregou sua vida por nós na cruz. Entramos na sabedoria da cruz e descobrimos de novo, maravilhados, que ninguém tem maior amor do que Aquele que dá sua vida por seus amigos. Este é o nosso Deus. Por isso hoje, experimentando as alegrias pascais, vivemos o domingo da misericórdia. Nosso Deus usa de misericórdia para com todos nós, nos perdoa setenta vezes sete, isto é, sempre, e nos oferece constantemente a vida nova de filhos no Filho.

A descoberta do túmulo de Jesus vazio e a experiência das aparições do Ressuscitado sustentam a fé dos apóstolos e dos demais discípulos. Aos poucos o medo e o estupor vão se convertendo em alegria e esperança. A certeza de que Ele não está morto vai crescendo com as notícias contínuas de suas aparições. É o próprio Jesus ressuscitado quem vai orientando os primeiros passos dos seus discípulos, incutindo em seus corações a paz, enviando-os a pregar a vida nova que brota de seus ensinamentos, dando-lhes o Espírito Santo e revestindo-os com o poder de perdoar os pecados em seu nome (cf Jo 20-23).

A experiência do Apóstolo Tomé faz chegar até nós a certeza de que Aquele que ressuscitou é o mesmo que foi morto na cruz, cujo corpo está marcado pelos pregos e pela chaga provocada pela lança. Sua dificuldade momentânea em acreditar é dissipada pelo próprio Senhor Ressuscitado no instante em que Tomé retoma a convivência com os demais apóstolos. Se ele pode agora dizer com toda a convicção “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20,28) a respeito de Jesus é porque reconheceu pela experiência da fé que o Crucificado-Ressuscitado é o Filho de Deus. Agora também ele irá anunciar com alegria que Jesus é Deus e que Ele está vivo e chama todos à vida nova de seu evangelho.

Assim nasce a Igreja: na força do Senhor crucificado e ressuscitado vivo no meio dos seus. Agora Ele não está mais limitado nem pelo tempo, nem pelo espaço. Ele está em todo lugar, em todos os tempos, vivificando tudo e todos e oferecendo-nos sempre a possibilidade de experimentar sua misericórdia. Também para nós vale a palavra do Senhor ressuscitado ao Apóstolo Tomé: “Não sejas incrédulo, mas fiel” (Jo 20,27).

O testemunho da ressurreição do Senhor provocou o nascimento entre os discípulos da formidável experiência narrada no Livro dos Atos dos Apóstolos: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava como próprias as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum (...) Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas, vendiam-nas, levavam o dinheiro e o colocavam aos pés dos apóstolos. Depois era distribuído conforme a necessidade de cada um”(At 4,32.34s). Seja assim também para nós hoje