Catedral de Brasília
Palavra do Pastor

5º Domingo do Tempo Comum

Fé e Amor Perante a Dor

04/02/2018

 

+ Sergio da Rocha

Cardeal Arcebispo de Brasília

 

Quais têm sido as nossas atitudes perante os próprios sofrimentos ou os sofrimentos do próximo? O que fazer? A Palavra de Deus nos oferece a resposta!

Jó interpela a Deus, buscando uma explicação para a sua triste situação, pois era um homem justo e, apesar disso, perdeu tudo. Ele faz pensar naquelas situações em que as causas do sofrimento não têm uma explicação satisfatória. A história de Jó não acaba neste momento de questionamentos. Ao final, ele reconhecerá a sua pequenez, colocando a mão na boca diante do mistério (Jó 40,4), numa atitude de fé, superando a triste situação que vivia. A resposta ao sofrimento humano acontece através da fé, da experiência do amor de Deus na oração, do silêncio humilde diante do mistério e da entrega confiante nas mãos de Deus. As situações de dor podem ser ocasião para crescimento e vida nova, para refletir sobre a vida e reorientar o caminhar cotidiano.

 Jesus não dá uma explicação teórica do sofrimento. Ele nos ensina o que fazer para superá-lo. Perante o mistério da dor, a resposta da fé se completa e se expressa através do amor.  O Evangelho, ao apresentar a cura da sogra de Simão Pedro, destaca os gestos de Jesus que dela “se aproximou, segurou a sua mão e ajudou-a a levantar-se” (Mc 1,31). A mão estendida a quem sofre é a resposta de Jesus e deve ser também a nossa. A resposta cristã perante o sofrimento deve ser feita de amor, compaixão e solidariedade. Há muita gente precisando de amor, de oração e presença solidária. A iniciativa de aproximar-se daquela mulher que se encontrava enferma foi de Jesus. A cura realizada é dom, é sinal do seu amor misericordioso pelos que sofrem. Contudo, foi importante o papel de Simão e André que contaram a Jesus o que se passava e o levaram até ela. Dois amigos deles, os discípulos Tiago e João, foram também com Jesus visitar aquela que se encontrava doente.

Em nosso tempo, há muita gente que sofre, necessitada da presença dos irmãos, à espera de uma visita ou de outro gesto de solidariedade. É preciso repetir, hoje, a atitude de Jesus: aproximar-se de quem está sofrendo, estender-lhe as mãos e ajudar a levantar-se. Jesus quer continuar a entrar na casa dos doentes, dos pobres e dos sofredores, através de nossa visita, a estender-lhes as mãos através das nossas mãos, recordando-nos daquela sua palavra “estive doente e cuidastes de mim” (Mt 25,36). A fé confiante em Jesus anima aqueles que sofrem, assim como aqueles que procuram amar e servir os sofredores. Como rezamos no Salmo 146, “ele conforta os corações”!

 

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