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08/10/2008

Festa de Santa Edwiges na Asa Sul


Do Correio Braziliense

Mais de 50 mil devotos de Santa Edwiges são esperados na paróquia da Asa Sul, desde ontem. São 10 dias de bênçãos, shows e novenas


Padre José Ailton Teodoro, pároco da Paróquia Santa Cruz e Santa Edwiges, na 905 Sul, abre a pasta dos milagres e vai mostrando as cartas, os bilhetes, os pedidos. A fé se expressa em todo tipo de papel e de letra. Tem quem peça a graça de um emprego, o fim de uma dívida, a cura de uma doença. O homem que relata em duas folhas o drama familiar, agradece por ter encontrado no amor de Santa Edwiges a paz em sua vida.

Enquanto folheia os papéis, padre José pergunta: “Você quer um milagre? Aqui tem um”. E tira do meio das centenas de folhas um caso que considera especial. Em seguida, pede à secretária da paróquia, Zilma, que faça uma ligação para Eliane Jardim Corrêa. Quando a moça atende, ele diz: “Eliane, divulgue seu milagre para uma repórter, tudo bem?”

E Eliane conta, por telefone, a história de fé e devoção à santa. Há cinco anos, mãe de um menino, a moça engravidou do segundo filho. Quando fez os primeiros exames, o ultrassom mostrou que o bebê nasceria com deficiência mental. O marido, médico, decidiu que deveriam consultar outros especialistas. Viajaram a São Paulo, procuraram todos os recursos possíveis, inclusive a orientação de médicos geneticistas. Todos confirmaram o diagnóstico inicial.

Devota de Santa Edwiges, Eliane sempre assistia à missa das quintas-feiras, na Paróquia da 905 Sul, às 19h30. “Fazemos a novena perpétua nessa missa”, explica o pároco. Eliane não se conformou com a palavra dos médicos e resolveu “procurar o médico dos médicos. Passei a assistir à missa de joelhos, durante os nove meses da gravidez”, conta a moça. Ela pediu à Santa Edwiges que curasse o bebê, que ela agradeceria ajudando na igreja e divulgando para todas as pessoas o milagre em sua vida.

Sempre que ia à missa, recebia a benção de padre José em sua barriga, mas nunca lhe contou o que se passava. Dois médicos lhe recomendaram o aborto. “Um deles me disse que se já estava difícil criar um filho sadio, mais difícil ainda criar um filho doente”, diz Eliane e começa a chorar do outro lado da linha.

Sua fé foi recompensada. João Gabriel nasceu saudável. Eliane cumpre a promessa feita, trabalha na paróquia e sempre que solicitada conta às pessoas sobre o milagre que recebeu.

Pedidos e graças
Luciana Simões sempre acreditou na força da santa. É tanto que, quando o marido de uma prima ficou desempregado, ela não titubeou: pediu ajuda à Santa Edwiges e conseguiu. O rapaz abriu uma empresa e hoje está bem. “Fiquei tão feliz que comprei uma imagem da santa e mandei para minha prima”. A partir de hoje, a paróquia de Santa Edwiges ficará pequena para receber devotos. São 700 lugares na capela e mais 300 cadeiras colocadas nos dias da festa e da novena que encerra dia 16. Mas, segundo padre José, mais de 50 mil pessoas participam do evento. O dia mais esperado é o encerramento. Mais de 20 padres, seminaristas e confessores estarão presentes para atender os fiéis.

A partir das 18h30, começa a queima de fogos em honra a Santa Edwiges, seguida de benção e distribuição das fichas e fitas para a novena. Na ficha, a pessoa pede um milagre, deixa o nome de nove pessoas que deseja ajudar e um sonho que gostaria de ver realizado. E ainda ganha uma fita para amarrar no pulso e fazer mais três pedidos. Santa Edwiges é a padroeira dos pobres e endividados e protetora das famílias.

Durante os 10 dias de festa e novena, haverá bençãos para todos, jovens, crianças, pobres, casais, envididados. Barracas com comidas típicas, bazar de artesanato e artigos religiosos, shows com bandas e carreata no dia 12 às 11h30 completam a festa da santa que trocou a vida de duquesa para trabalhar pelos necessitados, aplicando toda a sua fortuna na distribuição de alimentos, na libertação de inocentes encarcerados, no pagamento de dívidas de trabalhadores e na compra de medicamentos para doentes.

PROGRAME-SE
Desde ontem, a Paróquia Santa Cruz e Santa Edwiges recebe os brasilienses para a festa e novena que vai até o dia 16. A queima de fogos começa às 18h30, com a bênção e distribuição de fichas e fitas, seguida da missa e início da novena. As missas começam às 19h. No domingo, 12, haverá missa também às 9h. E na quinta-feira, último dia dos eventos, haverá culto de hora em hora a partir das 7h, sendo a última às 20h.