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08/10/2008

Dia da vida


A CNBB, através da comissão para a vida e família, instituiu a semana nacional da vida (1 a 7 de outubro) em preparação ao dia do Nascituro: dia 8 de outubro.

A Semana da Vida é uma ocasião especial para colocar em evidência o valor e a beleza desse dom precioso que recebemos de Deus. De modo especial, salientamos o valor sagrado da vida em todas as suas dimensões, manifestações e estágios.

Diante de tantos ataques que a vida vem sofrendo em nossos dias, é nossa missão reafirmar sua importância inestimável e inegociável. A vida é o fundamento sobre o qual se apóiam todos os demais valores. É a base de todos os outros direitos da pessoa humana.

O Evangelho da vida está no centro da mensagem cristã (Evangelium vitae, 10). Deus, que é o Senhor da Vida, confiou aos homens o nobre encargo de preservá-la. (Gaudium et spes, 51). Por isso, a Igreja declara que o respeito incondicional do direito à vida de toda pessoa – desde a sua concepção até a morte natural – é um dos pilares sobre o qual assenta toda a sociedade e um Estado verdadeiramente humano. Defender este direito primário e fundamental à vida humana é um dever do Estado.

Atuar em favor da vida é contribuir para a renovação da sociedade através da edificação do bem comum. De fato, não é possível construir o bem comum sem reconhecer e tutelar o direito à vida, fundamento de todos os demais direitos inalienáveis do ser humano.

Não pode ter sólidas bases uma sociedade que se contradiz radicalmente, por um lado afirmando valores básicos como a dignidade da pessoa, a justiça e a paz, mas por outro, aceitando ou tolerando as mais diversas formas de desprezo e violação da vida humana, sobretudo as mais frágeis e marginalizadas. Só o respeito à vida pode fundar e garantir bens tão preciosos e necessários à sociedade como a democracia e a paz (cf. Evangelium Vitae, 101).

Com a graça de Deus, o movimento “Brasil sem aborto” vem ampliando e fortalecendo cada vez mais suas atividades em defesa da vida. Com comitês espalhados em todos os Estados brasileiros, este movimento vem levantado a bandeira da vida, diante do avanço da cultura da morte.

A cultura da modernidade, inclinada para o hedonismo e para o relativismo ético, tenta relativizar, também, a vida humana. Não se pode relativizar aquilo que é absoluto. A vida é dom de Deus. Todas as manifestações de vida são explicitações da vida do próprio Deus. Portanto, a vida, desde a sua concepção no seio materno até a sua natural conclusão, deve ser defendida com decisão e valentia.

O dia do nascituro nos lembra que os filhos são dons preciosos de Deus e que a geração de filhos é uma das finalidades do Matrimônio. O filho é reflexo vivo do amor e sinal permanente da unidade conjugal. Na verdade os filhos são testemunhas vivas do encontro amoroso do casal e profetas de um mundo que se renova na continuidade da vida e da obra criadora de Deus. Eles, além de serem os artífices do futuro, são a continuidade da vida dos pais e de toda a humanidade. Quantas Nações estão envelhecendo, sem perspectiva de vida, comprometendo até a estabilidade econômica.

No antigo testamento, uma prole numerosa era considerada como bênção de Javé e a maior felicidade de uma família. A esterilidade, por sua vez, era vista, como uma desgraça (cfr. Gn.30,1; Sm.1,12-18; Is.47,9).

Não é só a guerra que mata a paz. Todo crime contra a vida é um atentado contra a paz. O aborto é um crime contra a vida e contra a paz, pois a vida individual e a paz geral estão estreitamente ligadas. Se queremos a ordem social é necessário construí-la sobre princípios tangíveis, na base dos quais está o respeito à vida humana, base também da civilização (cf. Evangelium Vitae, 101).

A civilização do amor e da vida é que dá à existência das pessoas e da sociedade, o seu significado humano mais autêntico (Evangelium Vitae, 27).

* Pe. DEUSDEDIT M. ALMEIDA é Pároco da P. Coração Imaculado de Maria e assessor da Pastoral Familiar