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21/09/2008

Fé, alegria e rock ’n’ roll em louvor ao Senhor

 


Diego Amorim
Do Correio Braziliense

A música eletrônica tinha a mesma batida das raves que se vê por aí. O rock era tão pesado quanto o das famosas bandas de hardcore. Os cabelos de moicano, as correntes no pescoço, os tênis de molinha, a barriga das meninas para fora, com piercing à mostra: a juventude reunida ontem no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade é igual a qualquer outra. “Somos normais. Ninguém aqui é bicho-papão”, esbravejou Cícero Garcia, 18 anos, um dos milhares de jovens católicos que cantaram, dançaram e rezaram durante as dez horas da 13ª edição do Hallel. Circularam pelo local, segundo a Polícia Militar, 40 mil pessoas. A organização, no entanto, diz que foram mais de 50 mil.

A Arquidiocese de Brasília, responsável pelo encontro, preparou 19 opções para os visitantes. Cerca de 300 fiéis das 121 paróquias espalhadas pelo Distrito Federal ajudaram a deixar tudo pronto ao longo de quase um ano de trabalho. Quem entrava no pavilhão era acolhido com muita zoada. “Nossa baderna é para Cristo”, quis deixar claro Adriano Cruz, 18, morador de Águas Lindas (GO). Silêncio só quando, no início da manhã, os padres seguiram em procissão para uma capela improvisada, endereço de muita oração e reflexão durante todo o dia. Quem cansasse de rezar podia aproveitar os muros de escalada e a tirolesa.

O anfiteatro onde bandas se revezavam a cada 30 minutos viveu momentos de puro êxtase. Com camisetas pretas, calças jeans surradas e cabelos longos, os integrantes do grupo de rock paulista Ceremonya fizeram a multidão pular e chorar. “Ô meu, essa viagem nenhuma droga ou álcool pode lhe dar”, repetia o vocalista, Danilo Lopes. De olhos fechados, com joelhos no chão de concreto, Thaís Oliveira, 15, tentava experimentar aquilo que ouvia. “É uma emoção muito forte. Aqui a gente se diverte louvando a Deus”, comentou a menina que saiu de Ceilândia às 8h para curtir seu primeiro Hallel.

Do lado de fora do pavilhão, no palco principal, mais música. A banda Beatrix, do interior de São Paulo, chamou a atenção pelo estilo da vocalista. Sem se incomodar de ser apelidada de “Pitty católica”, a publicitária Aura Lyris, 21, levou o público a bater cabeça e levantar poeira. Teve até quem acabou sendo jogado para o alto pelos amigos. “Não pregamos fanatismo, mas queremos mostrar que a vida tem muito mais coisa do que sexo, drogas e rock ‘n’ roll”, comentou a bela jovem, de cabelos pretos com pontas vermelhas, meia-calça escura e saia acima do joelho.

Câmeras de vídeo, 200 seguranças particulares e policiais do 1º Batalhão da Polícia Militar (Asa Sul) garantiram a segurança dos jovens, que foram revistados na entrada. A intenção era evitar que entrassem com bebidas alcoólicas. “O Hallel existe para mostrar uma cara alegre e viva da Igreja. Os jovens sabem que aqui é um lugar diferente”, afirmou o padre João Firmino, um dos organizadores do evento. Não houve confusão, furtos ou brigas, de acordo com o major Marcelo Toledo. “O Hallel é um dia tranqüilo, pra gente encontrar paz”, resumiu Bruno Oliveira, 20, que saiu de casa, em Santa Maria, às 7h30 em um ônibus com 40 amigos.