Catedral de Brasília
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Homilia de dom Sergio aos novos sacerdotes da Arquidiocese

03/07/2017 15:53

 

Ordenação Presbiteral – 1º de julho de 2017

Homilia de dom Sergio da Rocha

 

Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

Queridos irmãos que estão sendo ordenados presbíteros,

Há poucos dias, por ocasião da solenidade do Sagrado Coração, estivemos reunidos nesta Igreja, rezando pela santificação dos sacerdotes. O clero e os fieis aqui estiveram rezando pelos padres, pela santidade de nossos sacerdotes.

Hoje, aqui estamos novamente, tendo a graça de participar desta ordenação, rezando especialmente por vocês. Para que sejam sacerdotes santos. O exercício do sacerdócio já é, em si mesmo, meio de santificação. Por isso, ao exercer o ministério sacerdotal, deixem-se moldar pelo Senhor, como vaso nas mãos do oleiro. Gastem tempo para rezar pelo povo na capela do Santíssimo, na igreja e na casa paroquial, nas casas das famílias, especialmente das mais necessitadas. O primeiro serviço sacerdotal é a intercessão pelo seu povo, que acontece de modo especial na Eucaristia, mas que deve ser precedido e acompanhado da oração contínua pela Igreja, especialmente pelo povo que nos é confiado. Diante da messe, que é grande, segundo Jesus, a primeira atitude é a oração. Rezar pedindo operários ao Senhor da messe. Rezar assumindo, com generosidade, a própria condição de operário da messe do Senhor.

Operários da messe do Senhor necessitam viver na simplicidade, que é uma atitude própria de quem se coloca a serviço. O sacerdote que se apresenta como servidor vive na simplicidade que Jesus espera dos seus discípulos. Padre não precisa, nem deve acumular bens. Não necessita consumir tantos bens materiais para dar sentido à vida, como se difunde hoje. Por isso, seja simples e sóbrio o nosso estilo de vida, a começar das casas paroquiais. Fujam do estilo de vida mundano no uso dos bens materiais. O gesto de prostrar-se perante o altar, na ordenação, expressa despojamento, a entrega de si próprio. Estejam atentos para não pegar de volta o que estão entregando hoje a Deus e à Igreja. No altar da Eucaristia, a cada dia, cada sacerdote ofereça a Deus o que tem de mais precioso: a sua vida, o seu pensar, seus afetos, os seus bens, o seu serviço. Para tanto, continue a ecoar na vida de cada sacerdote as palavras proferidas pelo bispo na ordenação, ao entregar as oferendas: Toma consciência do que fazes e põe em prática o que vais celebrar, conformando a tua vida ao mistério da cruz do Senhor.

Cada padre deve continuar a ter coração de discípulo. Tenho repetido que quem assume a missão de colaborar no pastoreio do rebanho de Jesus deve continuar a assumir a sua condição permanente de ovelha do rebanho, que se deixa conduzir pelo Bom Pastor, que é Cristo. Discípulo que convive com o Mestre e Senhor, que fala e escuta, que compartilha com Ele alegrias e dores, tristezas e angústias. Sacerdote que se coloca aos pés do Senhor, diante do sacrário, para escutá-lo e por Ele sentir-se amado para poder amar com o coração de sacerdote e pastor.

Discípulos de verdade se tornam missionários, sempre dispostos a partir em missão. Sentem necessidade de compartilhar o dom da fé, a alegria do Evangelho, de testemunhar o amor de Deus. Necessitamos de missionários em Brasília. Necessitamos de missionários na Igreja, em toda parte, principalmente dos presbíteros formados no Seminário Redemptoris Mater, que é missionário por natureza. Presbíteros dispostos a trabalhar nos lugares mais necessitados, a sair em busca das ovelhas errantes que Cristo quer também conduzir, a sair ao encontro das ovelhas feridas e sofridas. Pastores que se dispõem a sair da sacristia, das casas paroquiais e dos próprios carros para caminhar em meio ao seu povo, para entrar nas casas, nos hospitais, nas prisões, mas também nos novos aerópagos, nos centros urbanos das grandes cidades. Missionários além-fronteiras que não medem sacrifícios para evangelizar. A obediência prometida na ordenação manifesta na atitude de estar sempre pronto a atender as necessidades da Igreja e não projetos pessoais. Fazer a própria vontade, em busca de vantagens pessoais, não condiz com o sacerdócio, nem faz feliz quem assim procede.

A Igreja confia a vocês um bem inestimável que não pode ser descuidado ou menosprezado. Por isso, sejam perseverantes! O sacerdócio é fonte de alegria para quem o recebe e para a Igreja. Porém, a Igreja sofre, e muito, quando alguém deixa o sacerdócio ou é obrigado a deixar de exercer o ministério por conduta imprópria. Por isso, é preciso o esforço sincero para ser fiel e perseverante, para viver as exigências da vida cristã e do ministério sacerdotal, especialmente o celibato pelo Reino de Deus. Sejam sempre sacerdotes, totalmente sacerdotes, sacerdotes para sempre. Perante as dificuldades e os desafios, jamais desanimar, nem recuar, mas seguir em frente. Vocês não estão sozinhos. Como o apóstolo Paulo, sabemos que trazemos tesouros em vasos de barro, mas que podemos contar com a graça de Deus. Basta-te a minha graça, diz o Senhor. Nas provações, em meios a questionamentos: Basta-te a minha graça, Ele repete.

E quando alguém passar por alguma crise, lembre-se: Jesus está lhe esperando no sacrário. E quando alguém passar por alguma crise, lembre-se: Jesus está lhe esperando nos hospitais, nos asilos, nas periferias, vá até Ele nos irmãos que sofrem. Eles necessitam do seu sacerdócio por toda a vida, por isso jamais desanimem ou se acomodem. Caminhem sempre com os olhos e o coração voltados para Jesus, confiando na misericórdia divina. Não tenhais medo que estou contigo para te defender!, diz o Senhor a Jeremias. Eis que ponho as palavras na sua boca!

Além disso, meus irmãos, vejam quanta gente reza por vocês que estão sendo ordenados. Quanta gente quer bem a vocês e tanto faz por cada um de vocês generosamente. Somos privilegiados por contar com tanto amor de Deus e com tanta gente que nos ama e, por isso, reza por nós, estão do nosso lado prontos a nos ajudar na missão; a viver o sacerdócio de modo fiel e feliz.

Aos familiares de nossos novos padres, especialmente aos seus queridos pais, a gratidão muito sincera de nossa Igreja pelo dom ofertado e pela afetuosa presença nesse momento, mas também durante todo o período de formação deles para o sacerdócio.

Aos irmãos e irmãs aqui presentes das comunidades todas, obrigado pela presença fraterna, pelo apoio aos nossos padres. Vocês são também a família de cada um deles, por isso, cuidem deles, ajude-os a cuidar deles.

Queridos diáconos e, logo mais, presbíteros da nossa Igreja, vocês estão sendo ordenados durante o Ano Mariano, nesta Igreja Mãe de nossa Arquidiocese – dedicada à Mãe do Redentor e nossa Mãe, aqui venerada como Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Levem Maria para sua casa, como fez o discípulo amado. Deixem que ela cuide de sua casa como ela cuidou da casa de Nazaré. Ela quer acompanhar vocês com amor de mãe. Lembrem-se sempre dela e dos exemplos que ela nos deixou, especialmente do seu sim fiel ao Senhor.

Sejam sacerdotes santos que vivem da simplicidade, do discipulado e da missão, da obediência e da fidelidade, perseverança até o fim pela graça de Deus e, por isso, sacerdotes felizes.

 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

 

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