Levar os católicos de volta às paróquias. Este é, atualmente, o maior desafio da Igreja Católica, segundo o padre Placimário Ferreira, coordenador da Assembléia Arquidiocesana 2007, realizada sábado e domingo na Capital Federal. Ferreira conta que o objetivo da entidade no Distrito Federal é aumentar a presença da Igreja, principalmente, no Plano Piloto.
"Isso vale, também, para todo o Brasil, porque 80% dos católicos não freqüentam a igreja. É como um doente que não vai ao hospital, ou seja, a pessoa está com problemas, precisa de uma palavra de conforto, e não procura ajuda", explica.
Com o tema "Santidade na Unidade", a assembléia deste ano trabalhou três pontos principais: catequese, família e missões. As linhas de ação pastoral servirão para planejar o cumprimento da meta prioritária.
"Algumas pessoas discutem uma possível briga por fiéis entre católicos e evangélicos, mas essa disputa é uma bobagem. O que nós precisamos fazer é melhorar o método pedagógico das catequeses e ampliar o diálogo com os que não abandonaram nossa religião, mas não costumam ir à igreja, e trabalhar da melhor maneira possível questões problemáticas com as famílias do Brasil", afirma o padre Placimário Ferreira.
Para aumentar o alcance dos ensinamentos da Igreja Católica, missões estão sendo preparadas para auxiliar a entidade em comunidades com pouca assistência da Igreja. Uma missão de Brasília, com dez integrantes, apresentada na Assembléia Arquidiocesana 2007, por exemplo, será enviada para Roraima. Lá, o grupo passará dois anos trabalhando com populações ribeirinhas, juntamente com representantes da Diocese de Boa Vista.
Temas polêmicos
Dentro da programação do evento, foi montado uma mesa de discussão, na manhã de ontem, no Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Estiveram presentes na ocasião, o Padre José Degasperi, reitor da Universidade Católica de Brasília; Cláudio Fonteles, Subprocurador Geral da República; e Ives Gandra, ministro do Tribunal Superior do Trabalho, além do padre Placimário.
Os convidados foram questionados sobre assuntos delicados, como a descriminalização do aborto.
"É fundamental que a pessoa se conscientize e não se deixe levar por manchetes de jornal. Não defendo a vida por fanatismo religioso, mas por uma reflexão profunda sobre o assunto", diz Cláudio Fonteles. "A questão da vida não é religiosa, é um direito natural", completa Ives Gandra.
No último dia da Assembléia, o Ginásio Nilson Nelson recebeu cerca de sete mil pessoas em uma grande celebração, que contou com shows do Ministério de Música Magnificat (Brasília) e da Banda Dom (Rio de Janeiro), além de uma missa no início da noite.
Ainda maioria
De acordo com uma pesquisa publicada este ano pelo Instituto Datafolha, os católicos ainda são maioria na população brasileira. Eles representam 64%, seguidos pelos evangélicos pentecostais, com 17%, e os não pentecostais, 5%. Logo atrás, os espíritas kardecistas ou espiritualistas, com 3%, e umbandistas, 1%. Adeptos do candomblé e de outras religiões afrobrasileiras representam menos de 1% e outras religiões chegam a 3%. Os que afirmam não ter religião ou ser ateus somam 7%. A pesquisa foi realizada entre 2006 e 2007, com 44.642 entrevistas em todo o Brasil.