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03/01/2010

Eucaristia: Epifania Suprema da Misericórdia Divina

 

 

Como membros da Igreja, arautos do Cristo Eucarístico, nós professamos que, no Sublime Sacramento do Altar, o único e verdadeiro Deus caminha conosco e Se revela como Aquele que traz a unidade, a esperança e a salvação a cada um de nós. De um modo singular, a Eucaristia é a epifania  suprema da misericórdia divina que se renova todos os dias, pois, diante da Mesa Eucarística, nós confirmamos na fé e na santidade que, por meio da Eucaristia, “manifestou-se a bondade de Deus, nosso Salvador, e o Seu amor pelos homens! Ele salvou-nos não por causa dos atos de justiça que tivéssemos praticado, mas por Sua misericórdia”. (Tt 3, 4-5).

Quando somos alcançados pela misericórdia divina, sentimos com uma sólida piedade  no coração que, na Eucaristia, Cristo revela-nos o alcance do Seu perdão, do Seu acolhimento e do Seu amor. Por conseguinte, quando participamos com as devidas disposições da Sagrada Comunhão, desejamos proclamar a todos os povos o desígnio de Deus. Desejamos que o nosso próximo saiba reconhecer na Hóstia Santa a presença real de Jesus, centro da comunidade; desejamos celebrar com o devido respeito e decoro a Missa diária, estimulando a participação dos fiéis com uma visão sacramental; desejamos incentivar as Horas santas e as adorações Eucarísticas, assumindo um novo compromisso de incrementar, de uma forma pessoal e comunitária, a vivência do silêncio e o exercício da adoração.  Quando concretizamos estes ideais em nossas vidas, assim como os Reis Magos, prostramo-nos diante de Cristo e O adoramos. Em adoração, oferecemos a Ele o tesouro do nosso tempo, da nossa vida, dos nossos talentos e da nossa fidelidade.

Na epifania do sublime amor que o Cristo Eucarístico nutre por nós, manifesta-se uma irrupção da luz divina e, por isso, “as comunidades eucarísticas são como uma nova aurora para o mundo, pelo que fazem, pelo que são, e sobretudo, por Aquele que nelas vive: o Príncipe da Paz”. (Texto-base do XVI CEN, página 70). Cristo Eucarístico, o Príncipe da Paz, é o Farol que nos ilumina neste mundo cheio de escuridão e de problemas insolúveis. Mesmo que vejamos muitos sinais de trevas neste nosso mundo, não podemos esquecer que, por meio de todos os lugares onde se celebra a Santa Missa, estende-se uma imensa rede de paz sobre todos os países, Estados e cidades do mundo. Esta rede de paz alcança-nos frequentemente, pois “a Eucaristia é o sacramento do Deus que não nos deixa sozinhos no caminho, mas se põe ao nosso lado e nos indica a direção. Com efeito, não basta andar para a frente, é necessário ver para onde se vai. Não basta o progresso, se não existem critérios de referência”. (Homilia do Papa Bento XVI, na Solenidade de Corpus Christi em 22 de maio de 2008). 

Na Eucaristia, Cristo é a Estrela que no seu surgir orienta nossa vida. Nossa vida adquire as características eucarísticas quando colocamo-nos sem reservas ao serviço da difusão da Boa Nova, quando buscamos primeiro o Reino de Deus e confiamos em Sua Providência.  Por amor, na Eucaristia, Cristo é o Manancial e a Epifania da comunhão. Correspondendo ao Supremo Amor que incendeia o nosso íntimo, tornamo-nos discípulos e missionários do Cristo Eucarístico e “onde o discípulo missionário anuncia a mensagem e vivencia os gestos que correspondem ao estilo eucarístico de Jesus, ali está a presença benfeitora da Igreja, suscitando e nutrindo vínculos de unidade com Deus e entre os homens”. (Texto-base do XVI CEN, página 17).          
        
contemplamos que, alimentados pelo Pão do Céu, unidos, formamos uma comunidade, uma assembleia que é a epifania da Igreja no Brasil, na América e no mundo. Nesta assembleia, mesmo sem o recurso das nossas vozes, em silêncio, com os joelhos dobrados diante do Tabernáculo, bradamos: “Senhor, eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus que vem ao mundo”. (Jo 11, 27). Nesta assembleia, estamos amadurecendo nossa doação e entrega ao Cristo Eucarístico, estamos purificando nossa fé e testemunhando que Jesus Hóstia Santa é o melhor conhecedor dos nossos corações; Ele é o maior Especialista nos nossos caminhos; Ele é o Peregrino que não nos abandona nas sombras das dúvidas, pois Ele é o próprio Caminho, a autêntica Verdade e a fecunda e imprescindível Vida. Ele é a Misericórdia que sempre vem em socorro dos nossos cansaços, perdoando as nossas imperfeições e pecados e indicando o Rumo Certo do caminho da justiça e do bem.

Ao concluir, quero enfatizar que a Eucaristia é uma epifania perpétua, pois no caminho de nossa vida, somos acompanhados e guiados pelo Cristo Eucarístico. Sempre que celebramos a Santa Missa, em estado de graça, recebemos o Corpo dado e o Sangue derramado de nosso Redentor que nos unem mais profundamente e n’Ele nos transforma. Unidos a Maria, a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, suplicamos: Jesus Eucarístico, que o XVI CEN nos ajude a imitar o Seu exemplo, ou seja, a servir para além das nossas possibilidades ao Sacramento da Eucaristia e à Sua Igreja, fecundos sinais  de Sua misericórdia e do Seu amor. Na Eucaristia, permaneça conosco, Senhor, hoje e sempre, para que possamos brilhar como filhos da luz que revelam ao próximo os inconfundíveis traços de uma alma Eucarística. Assim seja! Amém!     

Aloísio Parreiras
(Membro da Comissão de Liturgia do XVI CEN)